Feira dos Pucarinhos - Festa de S. Pedro (28 e 29 de Junho) - Vila Real

«“Pucarinhos” de Vila Real

          Pelo São Pedro, é de costume realizar-se em Vila Real, na província de Trás-os-Montes, uma curiosa «feira», tradicionalmente chamada «feira dos pucarinhos».
          Tal feira é uma exposição de trabalhos regionais, não só de olaria, mas também de tecidos de linho; - aparecendo ainda à venda mantas, cobertas de cama, e coisas assim. Tudo isto proveniente de incansável indústria caseira, que ali, embora rústica, se revela artística na ideação e na execução.
          É, porém, de olaria que, embora muito ao de leve, nestas abreviadas notas se falará agora.
          Logo pela manhãzinha, na véspera de São Pedro, vão chegando cestos e cestos de louça de barro, pelo ordinário negra, à Rua Central, em frente à capela do nome daquele santo, - que é onde a «feira» se efectua.
          Esta louça vem hoje de Bisalhães, povoaçãozita perto de Vila Real, mas dantes o fabrico estendia-se a Lordelo.

Se fores a Bisalhães,
à terra dos paneleiros,
dá por lá uma vista de olhos
à sombra dos castanheiros.
(A.C. Pires de Lima, Cancioneiro Popular de Vila Real, Porto 1928, pág. 208)

(...)
Cláudio Basto, Viana do Castelo, 1923
in Silva Etnográfica, Edições Marânus, Porto, 1939

Se quiser ler o texto na íntegra, clique aqui.




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Nota: As imagens foram recolhidas em postais, livros, revistas e folhetos e retratam a «Feira dos Pucarinhos» desde 1900 até aos nossos dias.

Capela Nova - Igreja dos Clérigos (Vila Real)

Na Revista "Ilustração" (nº1 - 1 de Janeiro de 1926) foi publicado um breve texto sobre a "Capela dos Clérigos - (Capela Nova) sita no topo Norte da actual Rua Combatentes da Grande Guerra, com 'direito' a foto (que disponibilizamos com a qualidade possível):

«CAPELA DOS CLÉRIGOS - (Capela Nova)
Vila Real, capital de Trás-os-Montes, não vale apenas - o que seria já muito - pelos seus formosíssimos arredores em que à majestade das montanhas se aliança, como que adoçando-a, a suavidade idílica dos vergêis. A arquitectura e a antiguidade dos seus monumentos emprestam-lhe um encanto especial e uma patine de forte cunho português. A Capela dos Clérigos (Capela Nova), defrontando com a Rua Central, é, certamente, um dos mais belos. A obra de talha que doira os seus altares e as ricas alfaias e paramentos que constituem o recheio dos seus arcazes, representam um notável espólio artístico.»

Bandeira de Tóro, na sua obra sobre o concelho de Vila Real (Tomo I - Julho de 1943) escreveu, acerca deste monumento religioso, o seguinte:

«Igreja dos Clérigos (antiga Igreja de S. Paulo ou S. Pedro - Vulgo: Capela Nova)

As suas obras tiveram início em 2 de Fevereiro de 1639, concluindo-se pouco depois, tornando-se um grande centro de piedade.

Deveu o honroso epíteto de Sé de Vila Real e Monte de Ouro, ao seu movimento religioso e à sua riqueza em alfaias.

Possui ricos azulejos internos e uma bem trabalhada frontaria.

A encimarem a fachada, estão três magestosas figuras, S. Pedro ao centro e de cada lado um anjo; um com as chaves e outro com o báculo, insígnias, respectivamente, de Papa e de Bispo. É obras coeva dos Clérigos do Porto, e do mesmo estilo.»

Apresentamos uma imagem desta Igreja, inserta na obra atrás referida, embora noutra página:


Imagem de cerca de 1912:

Edição: Adelino Alves Pereira - Figueira da Foz
Distribuição: Livraria e Papelaria Branco - Vila Real, c. 1912
Reedição: Câmara Municipal de Vila Real, 2004

Imagem de 1902:

Edição: Imprensa Moderna, Vila Real, 1907 - Fototipia
Fotografia: [António Pinheiro de Azevedo Leite], 6 de Maio de 1902
Reedição: Serviços Municipais de Cultura, Vila Real, 2003

Fotografia recente:


Em frente à Capela Nova realiza-se, a 28 e 29 de Junho (Festas de S. Pedro) a "Feira dos Pucarinhos"...

Trajo do Minho (Barcelos) - Mulher (1910)


«Thereza, moça de lavoira da quinta da Bagoeira
primeiro prémio de trajo regional»

(Parada Agrícola de Barcelos, por ocasião das Festas das Cruzes de 1910)
in Revista Ilustração Portuguesa

Casamento tradicional

"A decisão havia sido longamente pensada. «Antes que te cases, pensa no que fazes» - aconselhava a experiência secular. É que os nubentes iriam, por norma, ficar «unidos para a vida inteira». Assim o dizia a quadra:

Dei um nó na minha vida,
Nunc'ò eu chegara a dar,
Dei-o com a mão direita

Não o posso desatar.

Feito o pedido da noiva aos pais da mesma e lidos os banhos ou pregões, a breve trecho se lhes sucedia o casamento. Durante a Monarquia não havia outro casamento além do religioso. Criado o casamento civil em 1911 pelas I República, os actos civil e religioso tornaram-se distintos. Nas vilas e cidades, estes podiam acontecer no mesmo dia. Nas aldeias que estavam longe do Registo Civil, todavia, podiam realizar-se em dias diferentes. No mesmo dia ou em dias separados, as pessoas davam pouca importância ao casamento civil."
A.L. Pinto da Costa, in "Alto Douro, terra de vinho e de gente"











Fotos: Carlos Gomes

Sugerimos a leitura de: Casamento Tradicional (Trás-os-Montes)

Os espigueiros ou canastros e a cultura do milho


«Um pouco por toda a região do noroeste peninsular, surge frequentemente na paisagem rural um tipo de construção bastante característica que, pela graciosidade que possui, tornou-se num elemento emblemático daquela região – o espigueiro!

Também designado por canastro ou caniceiro em função dos materiais empregues na sua construção, o espigueiro constitui um celeiro onde o lavrador guarda as espigas. De posse particular ou comunitária, a dimensão do espigueiro reflecte a grandeza da produção que normalmente é efectuada. De modo idêntico, a sua ornamentação depende da fantasia do construtor e dos recursos do proprietário.(...)» Ler mais>>>

Foto: Carlos Gomes

Campinos do Ribatejo

«(...) Atravessa-se a vila de Azambuja, e já a cada momento, na estrada, é necessário diminuir a marcha do automóvel para deixar passar os rebanhos de ovelhas e carneiros, as manadas de potros e éguas, conduzidos à vara por campinos a cavalo, de barrete vermelho e meia branca, jaleca ao ombro, erectos nas selas mouriscas. São homens altos e secos, pernaltas com músculos de cavaleiros, a face moura, os matacões tufando da carapuça, o mento e o lábio superior escanhoados, que do alto do cavalo sorriem com desdém para o nosso veículo hipercivilizado
(Carlos Malheiro Dias - 1875/1841, in Grandes Agrários Ribatejanos)












Campinos do Ribatejo nas Avenidas de Lisboa - Fotos: Carlos Gomes 

Sugerimos a leitura de:




Olaria de Bisalhães (Vila Real ) - Expôr a louça

8.- Expôr a louça

«Até à construção do IP4, um pouco antes de chegar a Vila Real, havia tendas de louça preta a ladear a estrada. O viajante, atraído pela cor das peças, parava e o negócio lá se ia desenvolvendo. Com a a abertura da via rápida, as tendas foram transferidas para pequenos pavilhões, à entrada da cidade. Nalguns, pode-se admirar o trabalho do oleiro, na azáfama de elaborar as belas peças que exibe penduradas por dentro e por fora da loja



Texto: Júlio António Borges, in Monografia do concelho de Vila Real
Imagem: Foto de Duarte Carvalho – Colecção de Postais editados pelo Centro Cultural Regional de Vila Real em 1999

Olaria de Bisalhães (Vila Real ) - Esconder, na liga, os pucarinhos do peito

7.- Esconder, na liga, os pucarinhos do peito

«A par dos utensílios de barro preto, usados nas lides domésticas, havia minúsculas peças ornadas com um lacinho na asa ou no gargalo. Os namorados procurando agradar ao ente querido, ofereciam-lhas, trazendo-as ao peito enquanto durassem os festejos (1). Daria mais sorte se fossem roubadas.”

(1) Nota da Equipa do Portal: Feira dos Pucarinhos, dias 28 e 29 de Junho (Festas de S.Pedro), que se realiza, desde meados do século XIX, na Rua Central (actualmente Rua dos Combatentes da Grande Guerra), em frente da Igreja dos Clérigos, mais conhecida como Capela Nova.


Texto: Júlio António Borges, in Monografia do concelho de Vila Real
Imagem: Foto de Duarte Carvalho – Colecção de Postais editados pelo Centro Cultural Regional de Vila Real em 1999

Olaria de Bisalhães (Vila Real ) - Retirar a louça do forno

6.- Retirar a louça do forno

«O fumo provocado pela combustão, dá a cor característica do barro da região.»

Texto: Júlio António Borges, in Monografia do concelho de Vila Real
Imagem: Foto de Duarte Carvalho – Colecção de Postais editados pelo Centro Cultural Regional de Vila Real em 1999

Olaria de Bisalhães (Vila Real ) - Cozer a louça

5.- Cozer a louça

«Tapado o forno, a temperatura atingia novecentos graus. Há fornos feitos com tijolo, medindo metro e meio de profundidade, por três de diâmetro. Aplicavam um pião (cilindro), para facilitar a difusão das chamas pelas peças, e “roncas” (panelas estragadas), evitando que quebrassem, adquirindo um tom avermelhado se não fosse abafada.»



Texto: Júlio António Borges, in Monografia do concelho de Vila Real
Imagem: Foto de Duarte Carvalho – Colecção de Postais editados pelo Centro Cultural Regional de Vila Real em 1999

Olaria de Bisalhães (Vila Real ) - Colocar as peças no forno

4.- Colocar as peças no forno

«Depois de seca, a louça é metida no forno (buraco na terra que leva cerca de mil peças grandes, ou seis mil pequenas, de cada vez), pousada numa grelha sobre lenha a arder. O buraco é coberto com musgo, caruma e terra, fazendo uma abertura para facilitar a circulação do ar


Texto: Júlio António Borges, in Monografia do concelho de Vila Real
Imagem: Foto de Duarte Carvalho – Colecção de Postais editados pelo Centro Cultural Regional de Vila Real em 1999

Olaria de Bisalhães (Vila Real ) - Gogar

3.- Gogar

«Terminado o artefacto, usa uma palheta para aperfeiçoar os rebordos e um “gogo” (pedra do rio) para a polir. Os desenhos são aprimorados com um pedaço de pau, afiado, desenhando os motivos decorativos





Texto: Júlio António Borges, in Monografia do concelho de Vila Real
Imagem: Foto de Duarte Carvalho – Colecção de Postais editados pelo Centro Cultural Regional de Vila Real em 1999

Olaria de Bisalhães (Vila Real ) - Moldar o barro

2.- Moldar o barro

«A mesa de trabalho é formada por duas rodas e pelo banco. A de cima, grossa, tem um orifício reforçado com latão (“bucha de roda”), onde insere um eixo de madeira (“bico de trabulo”), que liga a outra, colocada por baixo. No centro do tampo há uma elevação, com um palmo de diâmetro, onde se pousa o barro. Movimentando a roda inferior, com o pé, faz girar a que está por cima, onde coloca o barro de onde sairá a peça a elaborar.

À medida que a roda gira, segura o barro com a mão esquerda e, com a outra, dá-lhe a forma desejada, molhando-a para facilitar o trabalho. Antes que a argila seque, o artesão dá asas à sua imaginação e enfeita a peça com flores ou outros adornos.»


Texto: Júlio António Borges, in Monografia do concelho de Vila Real

Imagem: Foto de Duarte Carvalho – Colecção de Postais editados pelo Centro Cultural Regional de Vila Real em 1999

Olaria de Bisalhães (Vila Real ) - Picar o barro

1.- Picar o barro

«O barro, tirado da barreira, era partido e guardado numa dependência, a que chamavam “caleiro”. Quando fosse necessário, levavam-no para o pio e, deitando-lhe água, malhavam-no até o reduzir a pó. Passavam-no pela peneira, para afastar as impurezas. Havia dois tipos de peneira, conforme os utensílios a produzir: o crivo (malha larga) para a “louça churra”; e a peneira de rede fina, destinada à confecção de louça decorativa


Texto: Júlio António Borges, in Monografia do concelho de Vila Real
Imagem: Foto de Duarte Carvalho – Colecção de Postais editados pelo Centro Cultural Regional de Vila Real em 1999

Exposição "NO ALTO MINHO - PAREDES DE COURA"



Aguarelas de Carlos Basto

De 19 de Novembro a 31 Janeiro
Horário: 3.ª a Dom. 14:00 – 18:00
Centro Cultural de Paredes de Coura
Avenida Cónego Dr. Bernardo Chouzal
Coordenadas:latitude 41°54'43.02"N - longitude 8°33'48.24"O
Contactos: Telef. 251 780 124 / Fax. 251 780 121
centrocultural@cm-paredes-coura.pt

A Capucha - Trás-os-Montes


Mulheres do concelho de Botica (Trás-os-Montes / Barroso) trajando Capuchas.


Mulher com Capucha, "fazendo meias", junto de gado bovino.

Sugerimos leitura de texto sobre As Capuchas>>>

Malhada do trigo ou centeio, antigamente


Foto retirada de: "O Douro", Manuel Monteiro

Sugerimos leitura de texto: "As malhadas", de António da Eira, in "Velhas Canções Transmontanas"

As segadas - Castanheira - Chaves - Trás-os-Montes

Os segadores no fim da ceifa.

O grupo de segadores ao entrar na povoação.

Sugerimos a leitura de um texto sobre "As segadas", de António da Eira, onde também se fala sobre as actividades depois das segadas e sobre as acarrejas. Poderão, ainda, conhecer algumas "Cantigas da segada".

Casa em "taipa"


A imagem mostra uma parede de uma habitação em taipa que resistiu à derrocada.

Poderá ver fotos de exemplos de aplicação de outros materiais de construção tradicional >>>

Foto: Carlos Gomes

Casas Tradicionais Portuguesas - desenhos

Exemplos de casas tradicionais portuguesas
segundo ilustração publicada na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Sugerimos a leitura do artigo
A concepção de casa tradicional do ponto de vista arquitectónico assenta na reunião das linhas estéticas do edifício que variam consoante a região e os hábitos culturais onde se insere. De igual modo, a engenharia que é empregue na concretização do projecto arquitectónico corresponde às exigências naturais e culturais que presidem à sua construção, nomeadamente as características dos materiais e as suas necessidades de utilização.>>>>>
(Carlos Gomes)

Antigamente: venda de louça preta de Bisalhães à beira da estrada


Antigamente, e até à construção do IP4 (que liga Amarante a Bragança, passando por Vila Real), os oleiros de Bisalhães mostravam e vendiam as suas peças (umas mais utilitárias outras mais decorativas) à beira da «sinuosa estrada do Marão EN15).

Hoje, apenas podemos vê-los a trabalhar (os 4 ou cinco que ainda restam) e adquirir as suas peças, em estruturas fixas construídas pela Câmara Municipal, na Avenida da Noruega, após a saída do IP4, em direcção ao centro da cidade de Vila Real.

Saber mais sobre o "barro negro de bisalhães" >>>

Embarcações tradicionais - Rio Douro - Rabão de Rabo Baixo

O Rabão de Rabo Baixo é uma embarcação tradicional do rio Douro, da família dos barcos rabelos. Era habitualmente utilizada no transporte de uvas, vinho ou de materiais de construção.

Este exemplar foi construído em Marco de Canavezes e oferecido ao Museu de Marinha onde se encontra exposto.

As imagens destacam o comprimento da espadela e, no interior, o fundo chato característico deste género de embarcações, condição indispensável para poder navegar nestes cursos de água.




Fotos: Carlos Gomes

Embarcações tradicionais - Rio Mondego

Embarcação tradicional do Baixo Mondego. Era habitualmente utilizada no transporte de cargas e passageiros na região de Coimbra.

As imagens mostram o cavername e o pormenor do leme. Este exemplar encontra-se exposto no Museu de Marinha, em Lisboa.





Fotos: Carlos Gomes
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