Tipos Açorianos - Trajos


«Os Açores são, sem dúvida, o retalho mais belo, mais típico da terra portuguesa que podemos encontrar por esse oceano fora. Não são apenas as suas rochas, os seus lagos, os seus vestígios vulcânicos, e sua flora variadíssima e pujantíssima que atraem e encantam o viajante; são os seus usos e costumes, raríssimas vezes parecidos com os do continente, são os tipos formosíssimos de mulher e os tipos curiosíssimos de homem que ali abundam e que nos detemos a contemplar extasiados como exemplares humanos privativos daquela região abençoada.
A feição do homem de trabalho nos Açores é um misto de originalíssimo do lavrador e do marinheiro. Tanto cava a terra e colhe patriarcalmente os seus frutos, como deixa, de um momento para o outro, a enxada e o arado para se largar à aventura pelo mar atrás das baleias, com o olhar atrevido e as mãos agarradas aos remos e aos arpões.

E quando eles andaram pela América, quando se tonificaram nessa atmosfera agitadíssima, poderosamente transformadora em que ninguém, por mais indolente, pode ficar quieto, então os homens dos Açores não se adornam apenas com o nome de americanos, deixam crescer a barba, indefinidamente, anafam-na presumidamente, cuidam-na com o esmero, com que um fidalgo dos tempos medievos trazia cuidados os seus pergaminhos e o seu brasão de armas.» In Ilustração Portugueza, 15 de Julho de 1912

Acima, «Alguns tipos curiosos da ilha de S. Jorge»
Imagens retiradas da Ilustração Portugueza, 15 de Julho de 1912
Para saber mais sobre Trajes dos Açores, clique aqui.

Feira de Santo António em Vinhais


Vinhais tem uma grande feira anual no primeiro Domingo de Setembro, no recinto da Capela de Santo António, à vista da Vila, na estrada que leva a Bragança. A feira coincide com o dia da Romaria de Santo António, muito frequentada pelos inúmeros devotos de todo o concelho e dos concelhos limítrofes, que ali vão cumprir as suas promessas!

No início do século XX, a Ilustração Portugueza, publicou uma notícia sobre a Feira de Santo António em Vinhais: «A feira de Santo António em Vinhais é das mais concorridas, pois de muitas léguas em redondo vem gente para as transações no excelente mercado. Com bailes e descantes decorrem as festas tradicionais em que se desafogam os espíritos e se fazem bons negóciosIn Ilustração Portugueza, 16 de Setembro de 1912
Na feira de Santo António: fazendo compras
 
Venda de anéis
 
Trecho do mercado de gado
 

Nas Festas da Senhora da Piedade, em Odemira, uma toirada à alentejana (1912)


As Festas de Nossa Senhora da Piedade, cujo dia principal é 8 de Setembro, são uma tradição antiga da vila de Odemira, mobilizando os odemirenses que assim prestam homenagem à padroeira da terra, cuja actual capela foi construída em princípios do século XX. A ela se refere aparentemente uma das Cantigas de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio. A antiga ermida, hoje quase imperceptível, situava-se nas proximidades, mas mais perto do rio, onde existia uma barca da passagem, cujo processo de locomoção exigia a fixação de um cabo nas duas margens.
Praça formada por carretas: do lado da sombra o boi vindo do curro

Uma boa pega ao sol. Ao longe, Odemira.

Uma pega na sombra, vendo-se o curro ao fundo.
Clichés do distinto fotógrafo amador, sr. Manuel Torrado
in “Ilustração Portugueza”, 30 de Setembro de 1912
 
 

Lamego - Festejos da Senhora dos Remédios


«As festas da Senhora dos Remédios em Lamego chamam muita concorrência das freguesias vizinhas que à sombra das árvores seculares faz os seus bailaricos e entoa os seus descantes em louvor da imagem e num culto tradicional.
Aproveita-se a linda festa, como quase todas as do seu género, para uma feira onde se fazem belas transacções, sendo um ponto de reunião de agricultores e comerciantes do distrito.» In «Ilustração Portugueza", 23 de Setembro de 1912
O bailarico nas sombras das árvores copadas
A grande árvore que tem 100 anos e à sombra da qual se dança e se merenda

Diante da igreja: a linda fonte, por ocasião das festas
As diligências levando os romeiros

Um rancho de romeiros
 
(Clichés do sr. David B. da Silva)
 
Se quiser saber mais sobre a Romaria de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, clique aqui.

Romaria da Senhora d'Ajuda em Espinho

É no 3º Domingo de Setembro que se realiza, em Espinho, a Romaria de Nossa Senhora d’Ajuda.
O culto e a devoção a Maria, Mãe de Deus, sob a invocação de Nossa Senhora d’Ajuda, segundo a tradição, terá nascido com a própria localidade.
Diz-se que a construção da capela original se ficou a dever a dois galegos, em acção de graças por se terem salvado de um naufrágio. Esta capela foi, entretanto, substituída por outra, de maiores dimensões, que veio a ser a primeira igreja matriz de Espinho, e para onde transitou a imagem de Nossa Senhora d’Ajuda. Esta igreja foi, em 1908, derrubada pelas águas do mar que invadiram a localidade.
Perante este facto, a imagem foi transferida para a capela de Santa Maria Maior, agora mais conhecida por capela de Nossa Senhora d’Ajuda, onde permanece até aos nossos dias, devido ao facto de não se enquadrar na nova igreja matriz
É da capela de Nossa Senhora d’Ajuda que, anualmente, sai a majestosa procissão.

Na praia: ao abrir dos farnéis
Um aspecto da romaria
Na praia mar

In "Ilustração Portugueza", 7 de Outubro de 1912 - Clichés do sr. David B. da Silva


Se quiser conhecer mais Romarias de Portugal, clique aqui.

Porcos para a matança


No Natal - Factoreando as vítimas nas vésperas do suplício (Cliché João Magalhães)
«Um dos pontos mais importantes das festas do Natal é o da matança dos porcos. Nas grandes cidades não se dá por isso. Os cevados aparecem dependurados às portas dos talhos, sem alvoroço para as famílias, sem nos terem incomodado com os gritos estrugidores da sua agonia, sem nós fazermos ideia de quantos eles custaram a criar e a engordar.

Por todas essa províncias, não há casal por mais pobre, que não tenha pelo menos um porquinho, que se trata com o maior cuidado para no Natal estar grande e nédio e poder fornecer, além das morcelas, dos torresmos para os dias de festa, carne de fumeiro e toucinho de salmoura, que às vezes duram até ao outro Natal.

E é um dia de juízo o da matança do porco. Ainda de noite preparam-se os alguidares para lhe aparar o sangue, picam-se montes de cebolas greladas para as morcelas, arruma-se a carqueja bem seca para o chamuscar, repassa-se outra vez o fio da faca, uma infinidade de preparativos, e o grunhir aflitivo do animal, ao ser arrastado para a mesa do sacrifício, não consegue comover ninguém.» In "Ilustração Portugueza, 23 de Dezembro de 1912"


O Porco no Rifoneiro Português
- Economicamente, o porco é um tesouro, um bom negócio, uma exigência
- O reco, na práxis, é um livro aberto, biológica e moralmente
- O porco na culinária
Para conhecer provérbios sobre o porco, clique aqui.

 

Idosa a fiar linho

"O linho é fiado com roca e fuso; a mulher que fia é a fiadeira."

Para saber mais sobre os "trabalhos do linho" clique aqui.

Idosa fiando linho com roca a fuso
 
Fonte da imagem: Ilustração Portugueza - 23 de Dezembro de 1912

A Romaria do Senhor da Pedra em 1912

«Não acaba a tradição. Por toda a província continuam as romarias com o mesmo cenário de sempre com as suas transações e os seus devotos.
A do Senhor da Pedra fez-se como em todos os anos tendo uma enorme concorrência.» In Ilustração Portugueza, 17 de Junho de 1912
 
Capela do Senhor da Pedra
Capela do Senhor da Pedra
 
Os romeiros à beira mar
Os romeiros à beira mar
Diante da capela
Diante da capela
 
No meio do pinhal: as merendas

 No meio do pinhal: as merendas
Para conhecer mais informações sobre Festas e Romarias em Portugal, clique aqui.
 

 

O São João em Condeixa e Alcobaça - 1912

Rancho das tricanas de Condeixa nas festa de S. João
Rancho das tricanas de Condeixa nas festa de S. João
1 - sr. Joaquim Carvalheira, ensaiador
2 - sr. António d'Oliveira, autor das músicas e das canções
Orquestra e rancho das tricanas em Alcobaça
Orquestra e rancho das tricanas em Alcobaça,
com o sr. José Augusto d'Oliveira, ensaiador, e sr. José Sanches da Silva, ensaiador dos coros.
 
 
«Entrámos em Junho e com ele no solstício do Verão. Salta-se a fogueira pelo S.João, brinca-se com alcachofras e martelinhos, tréculas e zaquelitraques, canta-se e dança-se. Pela calada da noite, invadem-se os quinteiros, assaltam-se as eiras e roubam-se vasos com plantas, carroças e carros de bois para seguidamente os levar para o centro da povoação. São as festas sãojoaninas, assim designadas em virtude da Igreja Católica ter atribuído a esta data o nascimento de S. João Baptista, uma reminiscência de antiquíssimos rituais pagãos relacionados com o Solstício de Verão e ainda com a adoração do fogo. De resto, o fogo adquiriu desde sempre um carácter sagrado ao ponto de ter sido deidificado.(...)»
Para continuar a ler o texto, clique aqui 

A incorporação dos recrutas - Lisboa - 1912

«Portugal vai ter dentro em dias quarenta mil soldados nas fileiras e são esses mancebos de todas as classes sociais da sociedade os quais, pela nova lei do serviço militar obrigatório, devem fazer o seu exercício. Os de infantaria estarão apenas três meses nos quartéis; os de cavalaria cinco, os de artilharia seis assim como os de engenharia e deste modo, com muito menos tempo de serviço, teremos habilitados um maior número de soldados.

As ruas de Lisboa apresentaram o mais pitoresco dos aspectos com todos os rapazes dos arrabaldes que se apresentaram à inspecção no hospital da Estrela, preparando-se no quartel de infantaria 5, o primeiro que os recebe, grandes festas para a sua apresentação numa marca da grande fraternidade que deve começar a existir no exército a que em França - desde a lei do serviço militar para todos os cidadãos - chamam a Grande FamíliaIn Ilustração Portugueza – 22 de Janeiro de 1912





Os recrutas do Exército nas ruas de Lisboa em 1912
Ilustração Portugueza - 22.01.1912
(Clichés de Benoliel) 
É interessante verificarmos os trajos usados pelos mancebos, oriundos dos arrabaldes de Lisboa.
Para conhecer mais trajos, masculinos e femininos, clique aqui.

Uma idosa de Amarante - 1914

«Cento e dezoito anos! É toda uma evocação dos velhinhos bíblicos, que muito sabiam porque muito tinham visto nas suas longas idades. Pois com cento e dezoito anos existe, perto de Amarante, Josefa de Sousa, tendo o uso de todas as suas faculdades, faltando-lhe apenas um pouco a vista. Caminha arrumada a um pau e passa muito tempo junto à lareira olhando por um bisneto enquanto a família anda na labuta.

De quando em quando apetece-lhe fiar; tem saudades da sua roca e vai para lhe pegar mas o seu neto, que conta 45 anos, não lho permite desejando-lhe a tranquilidade e que mais se prolongue a sua existência.

Num pequeno lugar do concelho de Amarante este grande exemplo de longevidade afirma a robustez duma raça e conserva bem nítidas todas as recordações do seu passadoIn Ilustração Portugueza - 20.07.1914
Uma idosa de Amarante

Uma idosa de Amarante
Ilustração Portugueza - 20 de Julho de 1914

Lavadeiras de Portugal


LAVADEIRA - Mulher que lava a roupa caseira, sua ou alheia, em tanques, poços, rios, lavadouros. No princípio do século, eram muito frequentes as lavadeiras, que vinham a Lisboa buscar e trazer a roupa às freguesas; eram geralmente de Caneças e Loures e andavam com grandes trouxas à cabeça; tratavam-nas por saloias e vinham em grandes galeras, por exemplo até à Estalagem dos Camilos, na Rua do Amparo. Daí seguiam a pé para diferentes casas. A roupa distinguia-se por marcas que cada possuidora lhe punha: ou as iniciais ou as pequenas estrelas, flores, ilhós, bolas a cheio, etc.

A roupa pode ser lavada sem barrela ou com barrela.

Para saber mais, clique aqui.
Lavadeiras de Mafamude
Lavadeiras de Mafamude
(Cliché do distinto fotógrafo amador, do Porto, sr. Eduardo Paulo)
Ilustração Portugueza - 15 de Junho de 1914
 
Lavadeira de Vizela
A Lavadeira de Vizela
(Cliché do distinto amador fotográfico sr. Luiz Osmundo Toulson)
Ilustração Portugueza - 2 de Março de 1914
 
Água tranquila - Lavadeiras num rio de Portugal
Água tranquila - Lavadeiras num rio de Portugal
(Cliché do distinto fotógrafo sr. Domingos Alvão)
Ilustração Portugueza - 22 de Junho de 1914
 
Lavadeira no Rio Leça
Lavadeira no Rio Leça
(Cliché Alvão, paisagista, Porto)
Ilustração Portugueza - 14 de Dezembro de 1914
 
Lavadeiras do Rio Mira (Odemira)
Lavadeiras do Rio Mira (Odemira)
Ilustração Portugueza - Novembro de 1913

O Pastor Alentejano

Pastor Alentejano - Ilustração Portuguesa - Outubro de 1913
 
Penso que esta não é, com toda a certeza, a imagem que fazemos do Pastor Alentejano. No entanto, esta fotografia foi publicada na Ilustração Portugueza (Outubro de 1913), com a seguinte legenda:
 
O Pastor Alemtejano
(Cliché do distinto fotografo amador sr. Francisco Bonache, da Golegã,
e pertencente ao distinto professor e escritor sr. dr. Tomaz de Noronha)

Quem quiser saber como é que são descritos, na obra de José Leite de Vasconcelos, Etnografia Portuguesa, alguns trajos característicos do Alentejo, pode clicar aqui.


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