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A vida dos marinheiros do Rio Douro (3)

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«Barco rabelo carregado de pipas, atracando ao cais da Carvoeira, no Porto «(…) Nos « barcos rabelos » ao passar nas graníticas « galeiras » do « Escarnicha » que, como outras colunas de Hércules, defendem a infortunada « Terra do Vinho » - eis que das « apégadas » grita o « mestre »: - Bota fora o Frade! E nisto o moço do barco empunha a «trombeta» e dela tira sons que levados de ribanceira em ribanceira vão ao longe ecoar… Por detrás da montanha, na margem esquerda, em lugares populosos antigamente, vivem quase em alfobre as famílias da « maruja » do Douro. Ao ouvirem esse sinal, as famílias dos « marinheiros » ausentes vão postar-se à espreita e mal hão reconhecido os seus, eis que por atalhos, verdadeiros carreiros de cabras, descem até ao rio e os « marinheiros » do barco deixam de remar no « pego » e atracam na praia. «Barco rabelo» a subir o Douro em frente ao Porto E é do abraço dos velhos pais já decrépitos, das mulheres que os filhos trazem ao colo ou das namo

A vida dos marinheiros do Rio Douro (2)

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Marinheiros carregando pipas de vinho no «barco rabelo»  «(…) Atingindo o barco o seu destino, muitas vezes à custa de remos e puxado à «sirga» pelos « marinheiros », ou seja em Riba-Corgo ou Baixo-Corgo , vai um da companha participar a chegada ao lavrador ou ao comissário de vinhos. Pelos íngremes caminhos rústicos, verdadeiros « gorrêtas », descem até ao cais carros de bois a carregarem pipas vazias, que voltam a trazer cheias das adegas. Interessante e digna de estudo também a vida trabalhosa dos carreiros do Douro ! Reboladas as pipas, cheias do mais afamado e precioso dos vinhos , sobre as pranchas, para o barco, pela « maruja » às ordens do « feitor » - ei-lo ali vai, rio abaixo, ao sabor da corrente, enquanto os « marinheiros » cantam e riem, conversando uns com os outros por meio de cantigas em que o verso é incorrecto e o estilo monótono, mas tão cadenciado e harmónico como o bater das « pás » abrindo em laivos cristalinos a água profunda!   «Barco rabelo»

A vida dos marinheiros do Rio Douro (1)

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   «O « barco rabelo » é talvez a última relíquia das primeiras embarcações peninsulares e, pelo seu todo característico, pelo seu aspecto nunca modificado, é porventura ainda o mesmo que os Fenícios construíram quando, nos tempos lendários da História Antiga, demandaram as costas lusitanas e ganharam os rios.  O célebre historiador Estrabão refere-se aos « barcos rabelos ». «Barco rabelo» subindo o Douro,   em frente à Ponte do «Porto Manso»  Nenhum outro barco pode navegar o Douro e, se às vezes, nas «barcas de passagem», o tipo fundamental sofre modificações, quer sejam guiadas pelas fortes moçoilas de Avintes , nos arredores do Porto, ou liguem, em Cima Douro, a Beira esforçada a Trás-os-Montes enérgico – a sua configuração não muda, é a mesma, só adaptada a outro fim. «Barco rabelo»   atracando ao caes dos Guindaes no Porto Minguado no verão o Douro que navegam, no Inverno parece um mar; e é por isso que se chamam «marinheiros» aos tripulantes dos « barcos rabelos », res

Os carreiros do Douro (2)

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Na sequência do post anterior ... António Luís Pinto da Costa, na sua obra « Alto Douro – terra de vinho e de gente » (Edições Cosmos, Lisboa, 1999), escreve que «(…) Os cascos eram transportados pelas empinadas veredas e calçadas alto-durienses em carros de bois, especialmente concebidos para essa função:  o cabeçado era ligeiramente encurvado para cima para não estrangular os animais nas descidas;  o chedeiro não tinha soalho, ficando com as travessas à vista para ser mais leve;  as chedas , levemente encurvadas para dentro, prologavam-se para além da última travessa do leito, para que nelas pudesse assentar-se, atravessado, um pipo de vinho, o penso dos bois ou o que fosse preciso para a viagem; as rodas, embora de madeira, tinham amplos espaços vazios e reforços de grandes pranchetas de ferro ( meias-luas ou seitoiras ), para se tornarem leves e resistentes;  as molhelhas , feitas de couro e forradas a pano vermelho protegiam a cabeça do animal: o chiadoiro do eixo nas treito

Os carreiros do Douro (1)

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Vila Real - Entrada da Quinta da Raposeira Amílcar de Sousa, num artigo intitulado “ A vida dos marinheiros do Rio Douro ”, escrito em Cheires, freguesia de Sanfins do Douro e concelho de Alijó, em 7 de Março de 1906, e publicado na  Illustração Portugueza  – nº9 S/d (1906), e do qual publicámos neste blogue alguns extratos, acompanhados de fotos, afirmava: « Interessante e digna de estudo também a vida trabalhosa dos   carreiros do Douro ! ». A propósito desta afirmação, publicamos hoje dois postais ilustrados:  dois carreiros do Douro  a transportarem pipas de vinho para a estação dos caminhos-de-ferro em Vila Real (cerca de 1912), que fica a pouco mais de 100 metros do local onde foi tirada a fotografia, e a imagem da referida estação de caminhos-de-ferro, na mesma altura. Sugestão de leitura: " Os carreiros do Douro (2) " Vila Real - Estação do caminho de ferro Edição da Casa - M. J. David Guerra . Villa Real Postal Ilustrado - Fototipia - c. 1912 Reedição dos Serviços M

Belezas nas margens do Rio Corgo – Vila Real

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O rio Corgo nasce próximo de Vila Pouca de Aguiar , e, após um percurso de 43 km, desagua junto à cidade do Peso da Régua , na margem direita do rio Douro , a uma cota de 50 metros. “ Rio Córgo, sim senhor, e não Côrgo, como declina a preciosa e surda prosódia da Cidade - se lhe extorquirmos o acento agudo. Simplificação morfológica de Córrego - vulgar carreiro entre montes. Filho legítimo de corrugu , latino-nado e baptizado no Lácio, mas daimoso, tal qual a senhora sua mãe; logo acidentado, depois impetuoso, ou o teor da vida e obras do rio Córgo. Olho-o de frente. Considero-o de través. E, pelos costumes, a indole e o nascimento, reconheço nele um irmão mais velho. Irmão, sim. Disse-o algures. Torno a dizê-lo. A mãe dele é minha mãe - Vila Pouca de Aguiar. E Vila Pouca, ao dar-nos à luz, se alguma coisa marcou diferença entre mim e ele, foi na data do nascimento - a do Córgo algo anterior à minha, apesar da minha contar à roda de dois séculos. Que, no tocante a naturalidade, por

As vindimas na Quinta do Miradouro

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Na Quinta do Miradouro: um considerável carrego de uvas, que se destina ao fabrico do vinho, sendo conduzido para o lagar. As vindimas na Quinta do Miradouro Estão-se a apanhar as últimas uvas. Este ano a colheita foi fraca em algumas regiões , mas noutras foi com pouca diferença a mesma do ano passado. Em todas elas, porém, a vindima revestiu o seu aspeto habitual de azáfama e de entusiasmo. Notam vários economistas que o nosso mal das subsistências provem, principalmente, de que a área que cultivamos de trigo não excede 270.000 hectares, ao passo que a aplicada ao vinho vai muito além de 500.000. Há, todavia, a contrapor-lhes o facto de que a sua exportação nos traz boa parte do ouro de que necessitamos. Dizem que Portugal é um país essencialmente agrícola, especificando-se que é « um país de vinho ". Com efeito, assim se reconhece ao vermos a febre em alargar a cultura da vinha à custa da cultura do trigo e do milho, cujas áreas têm diminuído assustadoramente nos úl